Pinduca põe dondocas para dançar


09 de Outubro de 1994 - O Liberal

Aurino Pinduca Quirino dos Santos - o Pinduca foi incluído oficialmente no registro recentemente - não é homem de se deixar vencer por contratempos.
Prova disso é que conseguiu ultrapassar as fronteiras da marginalidade imposta ao carimbó e demonstrar que no fundo da alma do High Society existia um Pinduca escondido.
Com 21 anos de carreira e 57 de idade, ele tem a altivez de quem sabe que tem o " toque de Midas" para lotar qualquer casa de espetáculos e transformar discos em sucesso.
Foi assim já em 73, quando lançou o primeiro disco. Ele cantava no bar São Jorge, na Condor, quando um moleque chegou trazendo na cabeça uma caixa com o primeiro lote de discos prensados. Era como agora, período de Círio. Vendeu tudo na mesma hora e mais do que nunca, teve certeza de que aquele era o caminho certo.

Tenente da reserva da Polícia Militar, Pinduca crê ter o dom da música nas veias. O pai, que ainda é vivo e tem 100 anos, toca flauta e foi professor de música em Igararpé-Miri, cidade natala do cantor. Todos os tios eram também músicos, os irmãos são músicos e, agora, os filhos de Pinduca enveredam pelo mesmo caminho. "Eu não queria que eles fossem músicos. Eles são inteligentes", afirma, de maneira dúbia.
De Igarapé-Miri para o mundo foi um passo, ou melhor, um volteio de carimbó. Com um visual estrategicamente pensado para despertar a curiosidade do público de fora da região, para Pinduca foi mais fácil cantar em boas casas de espetáculo fora da Amazônia do que aqui dentro.

A conquista dos clubes paraenses foi difícil. As dificuldades, porém, não causaram amarguras no cantor. Ele sabia que era tudo uma questão de tempo. Essa perseverança se reflete no comportamento de Pinduca. Em entrevista para a repórter Simone Romero, ele conta, com bom humor, que já cantou para 12 pessoas, já levou vaias e recebeu um copo de cerveja na cara.
Nada é capaz de desanimá-lo, tudo são desafios. O próximo desse homem que se auto-define como "sexy" é a vida política.